Entre Mares e Oceanos

com Marcelo Szpilman

Branqueamento de corais – O que é e o que significa?

Este é um tema que passou ser cada vez mais recorrente a partir da década de 1990, quando efetivamente a temperatura média da superfície dos oceanos começou a subir e as consequentes ondas de calor marinhas tornara-se mais frequentes. Com elas, passamos a presenciar um fenômeno chamado branqueamento de corais. Porém, antes de entrar no assunto, vale relembrar quem são os corais.

Os corais e anêmonas-do-mar (classe Anthozoa) pertencem a um ramo da evolução dos invertebrados (filo Cnidaria) que reúne os animais inferiores com tecido e cavidade digestiva definidos. Abrange também a classe Hydrozoa (plumas-do-mar, falsos corais urticantes, medusas e caravelas) e a classe Scyphozoa (águas-vivas).

Os indivíduos podem ser solitários, como as anêmonas-do-mar e águas-vivas, ou coloniais, como os corais, e apresentar duas formas em seu ciclo vital; o pólipo, fixo, e a medusa, de natação livre. Os hidrocorais (falsos corais urticantes) e os corais são formados por milhões de pólipos diminutos coloniais que se projetam através de poros em um exoesqueleto calcário maciço. O conjunto de colônias forma os recifes de corais, muito comuns nos mares tropicais.

Os pólipos de corais vivem em simbiose com algas que lhes fornecem energia (por fotossíntese) e nutrientes essenciais. E o mais impressionante, as algas “transferem” sua coloração exuberante aos corais ___ algas vermelhas, verdes ou azuis formam corais vermelhos, verdes ou azuis.

Entrando no assunto, nas águas tropicais é comum ocorrerem breves oscilações de temperatura, num só dia ou em poucos dias, e os corais suportam bem e passam incólumes pelo estresse térmico. Porém, quando ocorre o aquecimento das águas por um período maior, acima de sua resiliência térmica, os pólipos expulsam as algas __ a ciência ainda não sabe porque isto ocorre. Sem as algas, os corais perdem a cor e ficam brancos. E tem-se aí o que denominamos “branqueamento de corais”.

Se o período de aquecimento for relativamente curto (e suportável), as algas voltam, os corais retomam suas cores e se recuperam. Se o período for longo demais, os corais, sem energia e nutrientes, acabam morrendo e sobra apenas o exoesqueleto calcário branco. Assim, lamentavelmente, os recifes de corais, que podem levar centenas ou milhares de anos para serem formados, se transformam em pouco tempo em um conjunto de corais mortos, brancos, quebradiços e irrecuperáveis.

Importante saber que os corais se constituem na base do ecossistema marinho nos mares tropicais, fornecendo abrigo e alimentação para uma enormidade de peixes, crustáceos e moluscos que dependem deles para sua sobrevivência. Exercem papel semelhante ao das florestas tropicais. Sem os recifes de corais, teremos enormes zonas mortas e reflexos extremamente negativos para a vida marinha e a cadeia alimentar dos mares e oceanos, com sérios impactos para as atividades pesqueiras e comercias da humanidade.

Como foi abordado no artigo anterior, “Mares aquecidos”, em março de 2024 já tivemos um evento forte de branqueamento, com algumas espécies de coral do litoral brasileiro tornando-se seriamente ameaçadas de extinção. No entanto, o recorde de temperatura da superfície do mar alcançado agora em agosto de 2026, de 21,1ºC, somado ao prenúncio de um dos mais fortes El Niño, com grande poder de aquecimento das águas, poderá ter consequências trágicas para um número indeterminado de espécies, com a completa extinção de algumas delas.

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